BART 6221/74 - A HISTÓRIA DO BATALHÃO DE ARTILHARIA 6221/74 - ANGOLA 1975

terça-feira, 2 de junho de 2015

21º ENCONTRO-CONVÍVIO DO BART 6221/74 – 40º ANIVERSÁRIO DA PARTIDA-CHEGADA A ANGOLA



21º ENCONTRO-CONVÍVIO 
DO BART 6221/74
40º ANIVERSÁRIO 
DA PARTIDA-CHEGADA A ANGOLA

16 de Maio – Mosteiro de São Bento em Santo Tirso

O Encontro-Convívio do BART 6221/74 do passado dia 16 de Maio, organizado pelo ex-Alferes Almerindo Figueiras (comandante do 1º Pelotão da 2ª Companhia) e pelo ex-Furriel Eduardo Maia (Companhia de Comando e Serviços – CCS), pretendeu comemorar o 40º aniversário do embarque do BART 6221/74 para Angola, contudo 16 de Maio foi a data do nosso desembarque em Luanda – o embarque foi a 15 de Maio de 1975 à tardinha. Mas foi comemorado tudo junto e fiquei muito feliz por ter reencontrado toda aquela gente que, devido aos quarenta anos decorridos, só em raros casos consegui identificar quem eram. Levava uma série de questões para tentar esclarecer, sobre as nossas “férias” em Angola, mas fui de tal modo assediado por uma série de antigos camaradas, que não sabiam da minha pessoa desde que chegámos a Lisboa, a 27 de Outubro de 1975, que quase não consegui nenhuma das informações que pretendia.

Devido a alguns erros de “navegação”, cheguei um bocado atrasado a Santo Tirso. Estava no programa que eu apresentasse o projecto do livro sobre a “nossa guerra”, com uma visualização em Power Point, onde apresentaria imagens do Luso actual, o “nosso” quartel em Nova Lisboa, algumas fotos, etc… Quando cheguei já estava toda a gente no auditório do Convento – onde funciona também a Escola Profissional Agrícola de São Bento – e apresentei então o projecto do livro Os Últimos no Leste – na Retirada do Exército Português de Angola 1975, que correu muito bem, com toda a gente interessada, a fazer perguntas, a debitar opiniões, etc…

Depois realizou-se o opíparo almoço no claustro do Convento, com convívio à maneira e o rever de muitos camaradas.

O Eduardo Maia enviou-me a listagem dos camaradas presentes no Encontro e que vou colocar aqui, depois das fotos. Por enquanto, aqui ficam as fotos que realizei. Se alguém tiver mais fotos (deste Encontro ou mesmo de Angola-1975) e as quiser enviar-me – digitalizadas –, o meu email é o bdjornal@gmail.com. Agradeço muito todas as colaborações nesta saga.

AS FOTOS

A APRESENTAÇÃO DO PROJECTO DO LIVRO


Fotos de Olinda, a esposa do José Manuel da Silva:

Francamente... parece que vou ter de rever a minha maneira de falar em público - ou ato as mãos atrás das costas, ou coisa no género. Coloco sempre as mãos à frente da cara, em gestos que depois, parecem que estou a enfiar os dedos no nariz, ou outra coisa qualquer. Já no Festival de BD de Beja foi a mesma cena...


O ALMOÇO
NO CLAUSTRO DO CONVENTO

Nestas três últimas fotos eu mostrei uma foto (ver aqui em baixo), para ver se alguém identificava o nosso camarada com que estou a falar na Parada do Quartel do Luso. Ninguém sabia, até que...

... de repente, a meio de uma destas noites, lembrei-me! Só pode ser o ex-Furriel da Alimentação Delfim Carvalho, com que eu, muitas vezes conversava sobre as comidas, na Parada, ou na cozinha.

Veio então o tradicional bolo e...

... lembrei-me de ir convidar a jovem (penso que filha de um camarada nosso), para ir cortar e distribuir o bolo...

... o que ela fez a preceito.

No final, as prendas...


LISTA DOS 55 EX-MILITARES PRESENTES 
COM FAMILIARES RESPECTIVOS
NO 21º ENCONTRO-CONVÍVIO DO BART 6221/74 – SANTO TIRSO 16 DE MAIO DE 2015 

Albano Teixeira Gonçalves 
António Mário O. Marques 
Agostinho Pereira Fonseca 
Henrique Fernando Adães Almeida 
José Ferreira da Mota 
Luís Filipe S. P. Salles 
Joaquim Martins Seara 
Bernardino P. Fernandes 
José Francisco Rica 
Jorge Machado-Dias 
Luís Pacheco Barbosa 
Manuel Ribeiro Faria 
José Fernandes Palha 
António Marinho Costa 
Arnaldo Ribeiro Fernandes 
António Ribeiro 
Pedro Joaquim G. De Brito 
Armindo Costa Ortiga 
Jaime Patrício Ferreira 
António Moreira da Silva 
Torcato Martins Agra 
António Inácio Candeias Guerreiro 
Alberto César Prada 
Domingos Leite Teixeira 
António S. Pereira Costa 
José Salgado Fernando De Freitas 
Manuel Fernandes Pires Laranjeira 
José Gonçalves Fernandes 
António Pereira Silva 
Fernando Costa Santos 
José Albino L. Sampaio 
José Manuel Lomba 
Hernani Silva Nogueira 
Gabriel dos Santos Alves 
José Manuel da Silva 
José Filipe Alpoim Inácio 
Carlos Alberto C. Ribeiro 
Mário Moreira Martins Lobato 
José Ferreira Leite 
António José Teixeira 
Jorge da Silva Macedo 
Júlio Maria P. Mendonça 
Manuel Oliveira Costa 
Fortunato Costa Castro 
Francisco José Vieira De Oliveira 
António da Silva Tinoco 
Mário Gomes Pinto 
José Eduardo Bacelo 
Manuel Fernando Vieira Sousa 
Alcino Sousa Martins 
Armando Osvaldo Monteiro Ferreira 
Gonçalo da Silva Eusébio 
Henrique Soares Pereira 
Luís Almerindo Figueiras Gomes 
Eduardo António Monteiro Oliveira Maia

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sexta-feira, 3 de abril de 2015

NZINGA MBANDE (A “RAINHA” JINGA) – PREÂMBULO – PARA UMA HISTÓRIA DE ANGOLA (PARTE 10)

NZINGA MBANDE 
(A “RAINHA” JINGA)
1583 - 1663

A Ngola Nzinga Mbande ou “Rainha Jinga” (nascida c. 1583 — Matamba, 17 de dezembro de 1663) foi “rainha” (Ngola) do Ndongo (apenas da parte oriental, não ocupada pelos portugueses) e de Matamba no século XVII. A sua titulatura de chefia na língua quimbundu, Ngola foi, como já temos aqui escrito, o nome utilizado pelos portugueses para denominar aquela região (Angola).

Nzinga viveu durante um período em que o tráfico de escravos africanos e a consolidação do poder dos portugueses na região estavam a crescer rapidamente. Era filha do Ngola Nzinga a Mbande Kiluanje e de Guenguela Cakombe, e irmã do Ngola Ngoli Bbondi (o soberano de Matamba) que, tendo-se revoltado contra o domínio português em 1618, foi derrotado pelas forças sob o comando de Luís Mendes de Vasconcelos (12º Governador e Capitão-General de Luanda). O nome de Nzinga surge nos registos históricos três anos mais tarde, como enviada de seu irmão, a uma conferência de paz com o governador português de Luanda. Após anos de incursões portuguesas para capturar escravos, e entre batalhas intermitentes, Nzinga negociou um tratado de termos iguais, converteu-se ao cristianismo para fortalecer o tratado e adoptou o nome português de Ana de Sousa.

No ano subsequente, entretanto, reiniciaram-se as hostilidades. Dois motivos alternativos costumam ser apontados:

Ngoli Bbondi revoltou-se novamente, fazendo grandes ofensas aos portugueses e derrotando as tropas do 13º Governador e Capitão-General português João Correia de Sousa em 1621. Nzinga Mbande, entretanto, teria permanecido fiel aos portugueses, a quem teria auxiliado por vingança do assassinato, pelo irmão, de um filho seu. Tendo mais tarde envenenado o irmão, sucedeu-lhe no poder.

Nzinga formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe e, subsequentemente, conquistando o “reino” de Matamba. Ganhou notoriedade durante a guerra por liderar pessoalmente as suas tropas, proibindo-as de a tratarem como "Rainha", exigindo que se dirigissem a ela como "Rei". Em 1635, encontrava-se disponível para formar uma coligação com os reinos do Congo, Kassanje, Dembos e Kissama.

Como soberana, rompeu os compromissos com Portugal, abandonando a religião católica e praticando uma série de violências não só contra os portugueses, mas também contra as populações tributárias de Portugal na região. O 16º Governador e Capitão-General de Angola, Fernão de Sousa (de 1624 a 1630), moveu-lhe guerra exemplar, derrotando-a em batalha em que lhe matou muita gente e aprisionando-lhe duas irmãs, Cambe e Funge. Estas foram trazidas para Luanda e batizadas, respectivamente com os nomes de Bárbara e Engrácia, tendo retornado, em 1623, para Matamba.

O território controlado pelos portugueses e o "reino" de Nzinga.
Algumas datas mostram o leeeento avanço português, do séc. XVI ao séc. XIX

A “rainha” manteve-se em paz por quase duas décadas até que, diante do plano de conquista de Angola por forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, percebeu uma nova oportunidade de resistir. Traída eventualmente pelos Jagas, formou uma aliança com os holandeses que à época ocupavam parte da Região Nordeste do Brasil. Com o auxílio das forças de Nzinga, os holandeses conseguiram ocupar Luanda, de 1641 a 1648.

Em Janeiro de 1647, Gaspar Borges de Madureira derrotou as forças de Nzinga, aprisionando sua irmã, Bárbara. Com a reconquista definitiva de Angola pelas forças portuguesas de Salvador Correia de Sá e Benevides, que viria a ser o 23º Governador e Capitão-General de Angola, Nzinga retirou-se para Matamba, onde continuou a resistir.

Em 1657, um grupo de missionários capuchinhos italianos convenceram-na a retornar à fé católica, e então, o 27º Governador de Angola, Luís Martins de Sousa Chichorro, restituiu-lhe a irmã Bárbara, que ainda era mantida cativa.

Em 1659, Nzinga assinou um novo tratado de paz com Portugal. Ajudou a reinserir antigos escravos e formou uma economia que ao contrário de outras no continente, não dependia do tráfico de escravos.

Nzinga Mbande faleceu de forma pacífica aos oitenta anos de idade, como uma figura admirada e respeitada por Portugal. Na Angola actual é considerada a grande heroina do país e a “Mãe da Liberdade”.

Após a sua morte, 7 000 soldados de Nzinga Mbande foram levados para o Brasil e vendidos como escravos. Os portugueses passaram a controlar a área em 1671. Em certas zonas, Portugal não obteve controle total até ao século XX, principalmente devido ao seu tipo de colonização, centrado nas feitorias do litoral.

O nome de Nzinga Mbande tem muitas variações que, em alguns casos, são completamente distintos. Entre eles registam-se: rainha Nzinga, Nzinga I, rainha Nzinga Mdongo, Nzinga Mbandi, Nzinga Mbande, Jinga, Njinga, Singa, Zhinga, Ginga, Ana Nzinga, Ngola Nzinga, Nzinga de Matamba, rainha Nzingha de Ndongo, Ann Nzingha, Nxingha e Mbande Ana Nzingha.

ALGUMAS OBRAS SOBRE NZINGA MBANDE

JINGA, RAINHA DE MATAMBA
João Maria Cerqueira d’Azevedo
Edição do Autor
1949

GINGA RAINHA DE ANGOLA
Manuel Ricardo Miranda
Edição Oficina do Livro
2008

NJINGA - RAINHA DE ANGOLA
Filme
Realização: Sérgio Graciano (Portugal)
Com a actriz Lesliana Pereira
2014

A RAINHA GINGA
José Eduardo Agualusa
Edição Quetzal, Junho 2014

RAINHA JINGA – AS GUERRAS DE KWATA-KWATA
Argumento e desenho de Fernando Relvas
INÉDITO - TENTANDO ENCONTRAR EDITOR QUE PUBLIQUE A HISTÓRIA

Sentada sobre as costas de uma dama de companhia, a Rainha Jinga negoceia com os portugueses – numa gravura de 1687 

Pintura actual, baseada em gravura do século XIX 

No antigo largo do Kinaxixe (actualmente Praça Rainha Jinga) em Luanda onde já esteve a estátua da Maria da Fonte – monumento aos Combatentes da Grande Guerra –, está agora a estátua da rainha Jinga. Ao que parece, também já lá esteve um tanque soviético. 

Pormenor do monumento

O antigo largo do Kinaxixe e a Avenida dos Combatentes – foto de 1970 

Escultura da rainha Ginga, na Baía de Luanda, feita de ferro velho e pneus usados, da autoria de Ruthia d'O Berço do Mundo
Link do post onde aparece a imagem: http://bercodomundo.blogspot.pt/2015/01/uma-cidade-rebentar-pelas-costuras.html
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IMAGENS DO FILME NJINGA - RAINHA DE ANGOLA - de Sérgio Graciano






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