BART 6221/74 - A HISTÓRIA DO BATALHÃO DE ARTILHARIA 6221/74 - ANGOLA 1975

sexta-feira, 3 de abril de 2015

NZINGA MBANDE (A “RAINHA” JINGA) – PREÂMBULO – PARA UMA HISTÓRIA DE ANGOLA (PARTE 10)

NZINGA MBANDE 
(A “RAINHA” JINGA)
1583 - 1663

A Ngola Nzinga Mbande ou “Rainha Jinga” (nascida c. 1583 — Matamba, 17 de dezembro de 1663) foi “rainha” (Ngola) do Ndongo (apenas da parte oriental, não ocupada pelos portugueses) e de Matamba no século XVII. A sua titulatura de chefia na língua quimbundu, Ngola foi, como já temos aqui escrito, o nome utilizado pelos portugueses para denominar aquela região (Angola).

Nzinga viveu durante um período em que o tráfico de escravos africanos e a consolidação do poder dos portugueses na região estavam a crescer rapidamente. Era filha do Ngola Nzinga a Mbande Kiluanje e de Guenguela Cakombe, e irmã do Ngola Ngoli Bbondi (o soberano de Matamba) que, tendo-se revoltado contra o domínio português em 1618, foi derrotado pelas forças sob o comando de Luís Mendes de Vasconcelos (12º Governador e Capitão-General de Luanda). O nome de Nzinga surge nos registos históricos três anos mais tarde, como enviada de seu irmão, a uma conferência de paz com o governador português de Luanda. Após anos de incursões portuguesas para capturar escravos, e entre batalhas intermitentes, Nzinga negociou um tratado de termos iguais, converteu-se ao cristianismo para fortalecer o tratado e adoptou o nome português de Ana de Sousa.

No ano subsequente, entretanto, reiniciaram-se as hostilidades. Dois motivos alternativos costumam ser apontados:

Ngoli Bbondi revoltou-se novamente, fazendo grandes ofensas aos portugueses e derrotando as tropas do 13º Governador e Capitão-General português João Correia de Sousa em 1621. Nzinga Mbande, entretanto, teria permanecido fiel aos portugueses, a quem teria auxiliado por vingança do assassinato, pelo irmão, de um filho seu. Tendo mais tarde envenenado o irmão, sucedeu-lhe no poder.

Nzinga formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe e, subsequentemente, conquistando o “reino” de Matamba. Ganhou notoriedade durante a guerra por liderar pessoalmente as suas tropas, proibindo-as de a tratarem como "Rainha", exigindo que se dirigissem a ela como "Rei". Em 1635, encontrava-se disponível para formar uma coligação com os reinos do Congo, Kassanje, Dembos e Kissama.

Como soberana, rompeu os compromissos com Portugal, abandonando a religião católica e praticando uma série de violências não só contra os portugueses, mas também contra as populações tributárias de Portugal na região. O 16º Governador e Capitão-General de Angola, Fernão de Sousa (de 1624 a 1630), moveu-lhe guerra exemplar, derrotando-a em batalha em que lhe matou muita gente e aprisionando-lhe duas irmãs, Cambe e Funge. Estas foram trazidas para Luanda e batizadas, respectivamente com os nomes de Bárbara e Engrácia, tendo retornado, em 1623, para Matamba.

O território controlado pelos portugueses e o "reino" de Nzinga.
Algumas datas mostram o leeeento avanço português, do séc. XVI ao séc. XIX

A “rainha” manteve-se em paz por quase duas décadas até que, diante do plano de conquista de Angola por forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, percebeu uma nova oportunidade de resistir. Traída eventualmente pelos Jagas, formou uma aliança com os holandeses que à época ocupavam parte da Região Nordeste do Brasil. Com o auxílio das forças de Nzinga, os holandeses conseguiram ocupar Luanda, de 1641 a 1648.

Em Janeiro de 1647, Gaspar Borges de Madureira derrotou as forças de Nzinga, aprisionando sua irmã, Bárbara. Com a reconquista definitiva de Angola pelas forças portuguesas de Salvador Correia de Sá e Benevides, que viria a ser o 23º Governador e Capitão-General de Angola, Nzinga retirou-se para Matamba, onde continuou a resistir.

Em 1657, um grupo de missionários capuchinhos italianos convenceram-na a retornar à fé católica, e então, o 27º Governador de Angola, Luís Martins de Sousa Chichorro, restituiu-lhe a irmã Bárbara, que ainda era mantida cativa.

Em 1659, Nzinga assinou um novo tratado de paz com Portugal. Ajudou a reinserir antigos escravos e formou uma economia que ao contrário de outras no continente, não dependia do tráfico de escravos.

Nzinga Mbande faleceu de forma pacífica aos oitenta anos de idade, como uma figura admirada e respeitada por Portugal. Na Angola actual é considerada a grande heroina do país e a “Mãe da Liberdade”.

Após a sua morte, 7 000 soldados de Nzinga Mbande foram levados para o Brasil e vendidos como escravos. Os portugueses passaram a controlar a área em 1671. Em certas zonas, Portugal não obteve controle total até ao século XX, principalmente devido ao seu tipo de colonização, centrado nas feitorias do litoral.

O nome de Nzinga Mbande tem muitas variações que, em alguns casos, são completamente distintos. Entre eles registam-se: rainha Nzinga, Nzinga I, rainha Nzinga Mdongo, Nzinga Mbandi, Nzinga Mbande, Jinga, Njinga, Singa, Zhinga, Ginga, Ana Nzinga, Ngola Nzinga, Nzinga de Matamba, rainha Nzingha de Ndongo, Ann Nzingha, Nxingha e Mbande Ana Nzingha.

ALGUMAS OBRAS SOBRE NZINGA MBANDE

JINGA, RAINHA DE MATAMBA
João Maria Cerqueira d’Azevedo
Edição do Autor
1949

GINGA RAINHA DE ANGOLA
Manuel Ricardo Miranda
Edição Oficina do Livro
2008

NJINGA - RAINHA DE ANGOLA
Filme
Realização: Sérgio Graciano (Portugal)
Com a actriz Lesliana Pereira
2014

A RAINHA GINGA
José Eduardo Agualusa
Edição Quetzal, Junho 2014

RAINHA JINGA – AS GUERRAS DE KWATA-KWATA
Argumento e desenho de Fernando Relvas
INÉDITO - TENTANDO ENCONTRAR EDITOR QUE PUBLIQUE A HISTÓRIA

Sentada sobre as costas de uma dama de companhia, a Rainha Jinga negoceia com os portugueses – numa gravura de 1687 

Pintura actual, baseada em gravura do século XIX 

No antigo largo do Kinaxixe (actualmente Praça Rainha Jinga) em Luanda onde já esteve a estátua da Maria da Fonte – monumento aos Combatentes da Grande Guerra –, está agora a estátua da rainha Jinga. Ao que parece, também já lá esteve um tanque soviético. 

Pormenor do monumento

O antigo largo do Kinaxixe e a Avenida dos Combatentes – foto de 1970 

Escultura da rainha Ginga, na Baía de Luanda, feita de ferro velho e pneus usados, da autoria de Ruthia d'O Berço do Mundo
Link do post onde aparece a imagem: http://bercodomundo.blogspot.pt/2015/01/uma-cidade-rebentar-pelas-costuras.html
____________________________________________________

IMAGENS DO FILME NJINGA - RAINHA DE ANGOLA - de Sérgio Graciano






______________________________________________________________

1 comentário:

  1. Caro Jorge Machado-Dias, acho que utilizou uma imagem minha (a da escultura na Baía, feita de ferro velho e pneus). Não me importo que a mantenha, desde que atribua os devidos créditos ao meu blog.
    Grata.
    Ruthia d'O Berço do Mundo

    Link do post onde aparece a imagem: http://bercodomundo.blogspot.pt/2015/01/uma-cidade-rebentar-pelas-costuras.html

    ResponderEliminar