BART 6221/74 - A HISTÓRIA DO BATALHÃO DE ARTILHARIA 6221/74 - ANGOLA 1975

domingo, 12 de fevereiro de 2017

JÁ APROVEI A CAPA DO LIVRO

JÁ APROVEI A CAPA DO LIVRO

O meu projecto de capa para o livro Últimos no Leste de Angola – Na Retirada do Exército Português em 1975, teve que ser adaptado ao formato e ao design dos livros da Chiado Editora. Assim, o designer gráfico da editora procedeu às alterações que julgou necessárias, respeitando no entanto o meu projecto no essencial. O processo foi bastante rápido, uma vez que enviei todos os ficheiros para a edição, no passado dia 8 e no dia 9 já tinha o resultado da interveção do designer da editora.

Como já terei contado, tive que comprar antecipadamente 100 exemplares do livro para o poder editar, ao preço de € 14,00 cada. Portanto, os interessados na compra (pelo mesmo preço de € 14,00 cada exemplar) poderão desde já fazer a sua reserva para o email bdjornal@gmail.com. Espero ter o livro pronto antes de 6 de Maio - data do Encontro Anual do Batalhão, onde gostaria de fazer a sua apresentação.

Aqui fica a capa da editora, que aprovei (à esquerda), e o meu projecto original (à direita) - para comparação:


Os planos das capas completas:



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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

FINALMENTE ASSINEI CONTRATO PARA A EDIÇÃO DO LIVRO E... ENCONTREI A ORIGEM DO APÔDO “BATALHÃO PÉ-DESCALÇO”


FINALMENTE ASSINEI CONTRATO 
PARA A EDIÇÃO DO LIVRO 
E... 
ENCONTREI A ORIGEM DO APÔDO 
“BATALHÃO PÉ-DESCALÇO” 

Caríssimos camaradas,

Finalmente assinei ontem contrato para a edição do livro, com a Chiado Editora. Houve uma pequena alteração do título, por sugestão do editor, para Últimos no Leste de Angola – Na retirada do exército português em 1975.

Prevê-se que a fase de produção dure quatro meses, embora eu tenha alertado para que seria conveniente ter o livro pronto em meados de Maio próximo. Isto para que o livro possa ser apresentado no próximo Encontro Anual do Batalhão, onde poderá ser vendido em primeira mão, com dedicatórias do autor e a preço inferior ao que irá ter no mercado.

Mesmo no limite da preparação do original para enviar à editora, encontrei na internet aquilo que penso ser a origem do execrável (e sem qualquer verdade) apôdo com que nos presentearam na imprensa portuguesa da altura: Batalhão pé-descalço. Parece-me que tudo começou com uma comunicação do capitão Azevedo Martins, do MFA de Angola, à Assembleia dos Delegados do Exército, ocorrida em Tancos, a 2 de Setembro de 1975, comunicação essa que incluí no final do livro como anexo.

Deixo aqui esse texto:

"(...) Estão presentemente sediados em Nova Lisboa um Comando de Agrupamento, um Batalhão de Cavalaria e um Batalhão de Infantaria. Não existe sequer uma arma pesada, e dos dois Batalhões, o de Cavalaria ainda poderá dispor de pouco mais de 100 homens para o combate, enquanto que o de Infantaria não poderá dispor de ninguém, pois é o Batalhão que veio do Luso e que os próprios soldados do Comando do Agrupamento e do Batalhão de Cavalaria apelidam de "Batalhão do pé descalço”.

Este Batalhão, no seu deslocamento do Luso para Nova Lisboa, foi desarmado e espancados alguns dos seus elementos, incluindo o próprio Comandante. Perderam-se cerca de 4000 armas, rádios, munições, material cripto, tudo em posse da Unita. Foi o próprio Chiwale, 2.º Comandante Militar da Unita, que ordenou esta acção contra o Batalhão, como represália por acções menos correctas das nossas tropas em Sá da Bandeira, das quais trataremos mais à frente. Deste Batalhão, soldados houve que chegaram a Nova Lisboa em cuecas, facto que terá traumatizado esses elementos, mas é agora trauma explorado para forçar a sua retirada imediata para Portugal, embora só tenha... 3 meses de comissão!

Ciganos, que fazem parte dos elementos do Batalhão, logo após a entrada no quartel que lhes foi distribuído, começaram com arrombamentos e roubos. Impossível é, e porque tudo já se tentou, convencer a maioria a pegar em armas, mesmo que seja para desempenhar a também nobre missão de sentinela. Os factos passados com este Batalhão, e com uma "espécie de Companhia" que apareceu em Nova Lisboa, muito contribuiram para uma quebra no entusiasmo com que os poucos mais de 100 homens do BCav vinham desempenhando árduas missões, mesmo fora da sua zona de acção, como foi a evacuação da população de Malange.

A "espécie rara de Companhia" que atrás referi é um bando, não digo armado, por à semelhanca do Batalhão, ter sido também desarmada pela Unita, quando do regresso de uma missão de Henrique de Carvalho para Luanda. O Comandante desta Companhia apareceu em Nova Lisboa escoltado por elementos da FNLA, brancos, armados, pedindo cerca de 2.000 mil rações de combate e alguns milhares de litros de gasolina. Refere-se que o dito Comandante da Companhia não estava sob qualquer coacção! (...)”

O Capitão nem acerta com a arma do nosso Batalhão, designando-o “de Infantaria” e depois... será que esta "espécie rara de Companhia" que refere, era a nossa 2ª Companhia? Todo este arrazoado sem nexo é muito lamentável, ainda para mais, vindo de um capitão do MFA...

Ficam aqui as páginas do contrato assinado com a Chiado Editora:

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

NOTÍCIAS SOBRE A EDIÇÃO DO LIVRO


NOTÍCIAS SOBRE A EDIÇÃO DO LIVRO

Camaradas,

Como há muito tempo não tenho dado notícias sobre o que se passa com o livro que é a razão de ser deste blogue, resolvi fazer agora o “ponto da situação”.

Aconteceu que, depois do texto ter sido dado como terminado e pronto a ser publicado – cheguei mesmo a paginá-lo (fica com cerca de 200 páginas) –, o editor com quem trabalho e que me incentivou à escrita acabou por “roer a corda” e, com a desculpa de que “as coisas não estão famosas em termos de dinheiros”, não poder editar o livro, pelo menos por agora. Se calhar, penso eu, só lhe será possível editá-lo quando “as galinhas tiverem dentes”!

Devo dizer que o texto, depois de escrito, foi lido inicialmente pelo ex-jornalista do Público e meu amigo de longa data Carlos Pessoa, que fez alguns reparos ao estilo em que escrevi, mas considerou que o texto estava “excelente” e publicável. Depois passei-o a uma amiga professora de português, que fez a revisão gramatical, pontuação, etc... Após as correcções necessárias o texto foi dado como publicável.

Parti então para outra fase, a de procurar outro editor. Contactei a Editorial Âncora, que tem uma colecção já grande sobre a guerra colonial e entreguei o texto ao responsável por essa colecção, o coronel Barão da Cunha (que me pareceu um pouco “gágá”).

Passados uns tempos o coronel enviou-me uma opinião sobre o livro com a qual não concordei em termos gerais, respondendo-lhe que, por considerar acertada uma única parte da opinião dele, referente ao título, iria modificá-lo para “Últimos no Leste de Angola” e não apenas “Últimos no Leste”, para que se perceba logo do que trata o texto. Mas devo dizer que ainda estou com dúvidas sobre esta mudança.

A opinião do coronel é a de que o texto contém muitas questões sobre aspectos pessoais, que não interessam ao nível “histórico”. Tive que lhe responder que aquilo não é um texto histórico (não é um livro de História), mas o relato de memórias pessoais sobre a vivência na “tropa” e acontecimentos paralelos – pessoais, sociais, políticos e militares – pelos quais todos passámos, tendo como enquadramento a época em que tudo aquilo se passou.

O texto abarca acontecimentos desde que “dei o nome para a tropa” em Janeiro de 1973, até ao momento em que desembarcámos em Lisboa em 28 de Outubro de 1975.

Eis a resposta do coronel, depois de eu lhe ter respondido que eventualmente só iria modificar o título:

Caríssimo Autor, bem haja.

Irei dar conhecimento aos outros membros do Conselho Editorial da Coleção «Fim do Império», nomeadamente, representantes de Liga dos Combatentes, superintendente Isaías Teles, Comissão Portuguesa de História Militar, coronel José Banazol, Câmara Municipal de Oeiras, dra Eduarda Oliveira, e Âncora Editora, dr. Baptista Lopes. Entreguei o seu original ao representante da Liga e, provavelmente, será emitido mais um parecer por parte de outro membro do Conselho.

O revisor deve fazer o papel de «advogado do diabo», tendo em conta o público habitual, obviamente que o Autor tem o direito de não aceitar as sugestões...

Fique bem, M. Barão da Cunha.

Depois disto e pensando no tempo que toda esta gente vai levar a ler o texto e a opinar sobre ele, comecei a procurar outros eventuais editores. Devo acrescentar que, entretanto, o Carlos Pessoa enviou o texto para o Clube do Autor, que é uma editora possível para este tipo de narrativa. Mas até agora não fui informado de nada.

Assim, comecei a enviar o texto para todas as editoras deste país. Até agora “népia” de respostas.

Projecto de capa para a eventual publicação pela Âncora, 
respeitando o layout da colecção "Guerra Colonial":


Projecto da capa inicial (eventual edição pela Vega) com o título alterado:


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sexta-feira, 22 de abril de 2016

PROJECTO DE CAPA PARA O LIVRO “ÚLTIMOS NO LESTE – NA RETIRADA DO EXÉRCITO PORTUGUÊS DE ANGOLA – 1975” – ver em


PROJECTO DE CAPA 
PARA O LIVRO 
ÚLTIMOS NO LESTE
NA RETIRADA DO EXÉRCITO PORTUGUÊS DE ANGOLA 1975

O LIVRO



Camaradas,

Na impossibilidade de estar presente este ano no Encontro de Oliveira de Azeméis, com muita pena minha, deixo aqui o projecto para a capa do livro. Devo dizer que terminei a escrita em meados de Janeiro deste ano. Contudo, entre leituras de profissionais da escrita, revisão do texto e correcções, o livro só deverá estar editado em finais de Junho. Em conversa com o Silva e o Figueiras, surgiu-me a ideia de poder lançar o livro na Escola de Sargentos do Exército de Caldas da Rainha. A coisa parece-me bem, até pelo histórico daquela unidade. Vamos ver o que consigo fazer neste aspecto.

Para a capa escolhi a foto que sempre quis lá colocar, dado o lado crítico que acompanha todo o livro. Nesta foto, o pessoal tinha acabado de “verter águas”, na viagem de Luanda para o Luso e pareceu-me apropriado. Considero este gesto como uma “resposta” ao nosso descontentamento por nos vermos envolvidos naquilo tudo – já que não tenho foto alguma de alguém a “despejar as tripas” e que seria mais apropriado.

Espero contar com as vossas opiniões, em resposta neste “post”, ou para o email bdjornal@gmail.com.

Desejo-vos a todos um bom Encontro, no dia 14 de Maio e que me enviem fotos para colocar aqui.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A HISTÓRIA DA CIDADE DO LUSO (2) – ENCONTREI DUAS FOTOS E REFERÊNCIA AO ANTIGO QUARTEL DA CIDADE DO LUSO

A HISTÓRIA DA CIDADE DO LUSO (2)

ENCONTREI DUAS FOTOS 
E REFERÊNCIA 
AO ANTIGO QUARTEL 
DA CIDADE DO LUSO

Primeiro dei com a foto que deixo aqui em baixo – e que, por acaso tem em anexo a imagem do Google Maps que identifica a sua localização, na mesma avenida que parte da antiga "Messe de Sargentos" e passa pela Escola Industrial. O ex- Furriel Ernesto Fonseca, no seu depoimento on-line “Por xanas do Leste de Angola”, faz referência ao quartel, logo no início do seu texto:

Em Outubro de 1968 fui destacado para o Esquadrão de Cavalaria 403 do Grupo de Cavalaria 1 «Dragões de Angola» aquartelado no Luso (hoje Luena), província do Moxico, no Leste de Angola.

O quartel, construído com chapas de zinco, tinha servido aos mercenários de Tshombé, fugidos do Katanga e acolhidos pelo regime português. A partir do meio-dia o calor dentro destas instalações era infernal e assim se mantinha até de madrugada, quando arrefecia.



 As fotos que encontrei: em cima, o quartel e em baixo, a porta-de-armas seguida da localização no Google Maps

Mais três fotos do quartel dos Dragões (Esquadrão de Cavalaria 403) encontradas hoje (03/10/2015):




Vista actual do Google Earth: a Escola Industrial (à esquerda) e o que resta do antigo quartel dos Dragões (à direita)

A localização em planta do Google - já publicada no post anterior, a que acrescentei a posição do referido quartel com um círculo a negro. O edifício assinalado com o 6, é a Escola Industrial.

Localização do Quartel dos Dragões (cerca de 1970/71).
Legenda
1 - Escola Industrial e Comercial
2 - Quartel dos Dragões
3 - Terreno onde foi construído o quartel em que ficou a nossa 2ª Companhia do BART 6221/74
4 - Igreja Sé do Luso

Já agora, encontrei também resposta para uma questão que deixei no post anterior: A estátua de D. António de Almeida, fundador da cidade do Luso, ainda está no sítio, em frente da estação dos Caminhos-de-ferro. Aqui fica uma foto de 2011, depois de restaurada a Estação:


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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A HISTÓRIA DA CIDADE DO LUSO (ACTUAL LUENA)

A HISTÓRIA DA CIDADE DO LUSO 
(ACTUAL LUENA)


Apesar de, segundo o programa que a determinada altura estabeleci para este blogue, faltar ainda a publicação das partes 13 e 14 do “Preâmbulo – Para uma História de Angola”, dedicadas às viagens de exploração e cartografia e à ocupação portuguesa efectiva do território, decidi publicar já hoje a matéria que, porventura, interessará mais aos elementos que integraram o BART 6221/74: a História da cidade do Luso.

Assim, a cidade do Luso nasceu dez anos depois de terminada a Conferência de Berlim (1884/1885). Nessa Conferência o mapa de África foi redesenhado, como vimos em post anterior (não havia até essa altura quaisquer fronteiras estabelecidas no continente), de acordo com as pretensões coloniais das potências europeias. Foi daí que nasceu o território de Angola mais ou menos como o conhecemos hoje. Mas foi necessário um esforço enorme para Portugal que, em 1890 rondaria os cinco milhões de habitantes (só para comparação, a Grã-Bretenha andava pelos dez milhões), conseguir ocupar aquilo tudo, uma vez que até essa altura, dominava apenas uns escassos trezentos quilómetros, em algumas zonas, a partir da costa atlântica.

Assim, a 3 de março de 1895, uma expedição comandada pelo tenente-coronel Trigo Teixeira, partiu de Luanda com o intuito de ocupar os territórios situados entre o Alto Kwanza e o Zambeze, que passaram a ser designados por Moxico. A palavra Moxico deriva do nome de um soba Cokwe (Tchokwe, ou Quioco, como lhes chamavam os europeus), Mwa Muxiku. Trigo Teixeira estabeleceu uma Colónia Penal Militar Agrícola, nas terras do soba Mwa Muxiku, fazendo construir a Fortaleza Ferreira de Almeida (extinta em 1901). Conhecida inicialmente e até 1895 por Região Valwena (ou Valuvale), aquele vasto território, a que os portugueses chamaram “dos Luvale”*, passou à categoria de distrito – separando-se do antigo distrito de Benguela –, com a designação de Moxico em 15 de Setembro de 1917. Este novo distrito teve como sede a povoação com o nome de Luvale, ou Moxico Velho, fundada por Trigo Teixeira, perto da fortaleza a que nos referimos atrás, onde se encontrava fixada uma pequena guarnição militar e alguns comerciantes.

(*) O povo Luvale tem origem étnica no Reino Mwantiavwa, ou seja, Lunda/Cokwe, e dele é símbolo de soberania a Rainha Nyakatolo – a Mãe dos Valwena ou Valuvale. Este povo espraia-se por vastas regiões da Província do Moxico, nomeadamente na maior parte do território do Município do Alto Zambeze, no do Luacano, nas comunas de Lucusse e Luvuei, e com manchas étnicas consideráveis em quase todos os restantes municípios da Província, com penetração nas Repúblicas da Zâmbia e do Congo Democrático.



Após a tomada de posse do primeiro Governador do Distrito, D. António de Almeida, este escolheu, delineou e fundou, a cerca de 20 quilómetros a norte de Moxico Velho, a nova sede do distrito, designada por Moxico Novo, num planalto de 12 km de largura que se espraia entre os rios Luena a sul e o Lumege a Norte, a 1 350 metros acima do nível do mar. A intenção de D. António de Almeida, foi colocar a nova povoação junto à linha de caminho-de-ferro de Benguela (que chegara àquela zona em 1913 e à fronteira com a Rodésia do Norte – actual Zâmbia – em 1929), passando a estar ligada às restantes povoações por onde passava a linha.

Busto de D. António de Almeida, fundador da vila Luso (que designou a nova povoação por Moxico Novo), em frente à Estação do caminho-de-ferro, foto de 1969. Não faço ideia se a estátua ainda lá estará - mas penso que não... (Afinal está no seu sítio!)

Em 1922, esta povoação passaria a chamar‐se Vila Luso, depois de uma visita do alto-comissário de Angola, General Norton de Matos. Na vila, construiu‐se um bairro para instalação dos funcionários dos caminhos‐de‐ferro. Em Maio de 1956, a povoação passou a cidade, com o nome de Luso. A sua posição, ligada à única linha de caminho‐de‐ferro que atravessa todo o território angolano, fez dela um ponto estratégico comercial, político e administrativo. A cidade define‐se urbanisticamente pelos elementos que caracterizavam as urbes criadas ao longo das linhas de caminho‐de‐ferro, em especial as do de Benguela. O traçado desenvolveu‐se para o lado Sul da linha, através de uma estrutura em quadrícula, sendo a estação ferroviária uma referência importante na estrutura urbana, onde se localiza uma praça, a partir da qual se criou a rede hierarquizada de ruas e praças. Em 1959 foi elaborado um plano de urbanização que reforçou a estrutura preexistente, estabelecendo novas áreas de expansão e criando novos equipamentos e espaços verdes.
Com o centro histórico constituído pelas primeiras casas, combinaram‐se modernas habitações unifamiliares e edifícios públicos, jardins e largas avenidas. A Estação do Caminho‐de‐Ferro de Benguela e o Aeroporto são duas infraestruturas que representam o desenvolvimento e importância atingidos por esta cidade na zona leste de Angola. Com apenas dez quarteirões, em 1960‐1961, o plano do arquiteto Sabino Corrêa partia das preexistências, atribuindo‐lhes um sentido urbano, com praças, ruas e hierarquização dos espaços e edifícios públicos. Em 1973 foi elaborado um Plano para Zonas de Ocupação Imediata, do arquiteto Adérito de Barros, que previa a expansão para sul.

A cidade do Luso continha edificações qualificadas, com uma arquitetura moderna, ou seguindo o chamado "estilo Estado Novo" (como os Correios, os Palácios do Comércio e do Governo do Distrito), sendo a Rua Governador Hortêncio de Sousa a via onde estas se localizavam em maior número. O Palácio do Comércio, sede da Associação Comercial desde 1952, construído a leste da cidade, perto da Igreja Matriz e Sé Catedral do Luso, transformar-se-ia provisoriamente na sede do Governo do Distrito e viria a ser ampliado, por subsídio do Governador‐geral e, depois de construído mais um piso, em 1954, viria a absorver a Câmara e o Tribunal. Utiliza uma “linguagem neo‐solarenga de inspiração setecentista [...] com o seu largo telhado de quatro águas e beiral, marcado pelo pórtico central e simétrico da fachada”. Frente ao edifício, situava‐se o Jardim Salazar. Isto até o novo palácio do Governo do Distrito e Câmara Municipal, no lado oeste da cidade estar terminado, em 1965. Este edifício é actualmente a sede do Governo Provincial angolano. Quanto ao Palácio do Comércio foi restaurado em 2007 e é agora a sede do MPLA na cidade.

Palácio do Governo do Distrito do Moxico, em 1965

Nos anos de 1970

Depois de restaurado, é o actual Palácio do Governo Provincial do Moxico

Antiga sede da Associação Comercial do Moxico - Palácio do Comércio, nos anos de 1970

Actualmente é a sede provincial do MPLA, depois da reconstrução em 2007.

A maior fase de crescimento do edificado em Vila Luso ocorre nos anos 1950, quando se inicia a construção do Aeroporto e do edifício dos Correios. É ainda erigido o Luso Hotel (atual Hotel Luena), de desenho moderno, da autoria de Luís Talequim da Silva, que recentemente foi remodelado e recuperado. É também aberta a primeira agência do Banco de Angola, atualmente sede da Angola Telecom. O Cine-Teatro Luena começou a funcionar em 1956 (e foi recentemente recuperado). Este crescimento do edificado manteve-se relativamente constante, tendo sido acrescentados equipamentos de lazer como a Piscina do Ferrovia, concluindo-se finalmente nos anos de 1970 e sendo inaugurada a Estação dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (onde se destacava a fachada, com pérgola ondulada sobre a entrada, em betão, pontuada pela torre do relógio, e os cais, com galerias em betão armado, de cobertura ondulada sobre pilares-cogumelo de um lado e as de cobertura horizontal corrida sobre pilares do outro), em frente à Estação foi erigida uma estátua a D. António de Almeida, que se pode ver mais acima neste post.

Estação de caminhos-de-ferro do Luso - antes da guerra civil...

... depois da guerra civil...

... e actualmente, após o restauro.

Após a independência de Angola, a cidade passou a designar‐se Luena, tomando o nome do rio que lhe passa a sul, que é um afluente do Zambeze. A destruição que se iniciou com a guerra pós-independência foi, contudo, arrasadora, tendo grande parte destas estruturas ficado praticamente irreconhecível. As habitações foram mais poupadas e alguns edifícios foram recentemente objecto de obras de conservação, como o Hospital, o Governo Civil, o Hotel Luso (agora Luena), o edifício da Antiga Associação Comercial – acabado de restaurar em 2007 e agora sede do MPLA –, o antigo Cine-Teatro Luso, a estação do caminho-de-ferro, o edifício do Aeroporto, etc...

Aeroporto do Luso, nos anos 1970...

... após a restauração...

... e actual aerogare do aeroporto internacional de Luena, em 2013. 

Área metropolitana actual da cidade de Luena. 
O destaque rectangular A é a zona da cidade antiga, cuja vista aérea do Google Maps, se mostra abaixo:

Legenda de alguns edifícios numerados:

1 – Estação de caminhos-de-ferro, CFB
2 – Edifício do quartel onde ficou a 2ª Companhia do BART 6221/74. Presumo que actualmente esteja ocupado pelo exército angolano (?).
3 – Palácio do Governador do Distrito do Moxico, actualmente do Governo Provincial.
4 – Hospital do Luso (Luena)
5 – Messe de Sargentos – apesar de terem lá ficado também os alferes do BART 6221/74
6 – Escola Industrial e Comercial
7 – Edifício dos correios
8 – Sede da Associação Comercial (Palácio do Comércio), com o jardim Salazar em frente. Actualmente é a sede do MPLA e o jardim terá obviamente outro nome.
9 – Sé Catedral do Luso/Luena
10 – Monumento à Paz, inaugurado a 4 de Abril de 2012
11 – Hotel Luso/Luena
12 – Cine-teatro Luena
13 – Clube Ferrovia, sede e piscina.

ALGUMAS FOTOS MAIS:
Clicar em cima das imagens, para ver em tamanho maior

Hotel Luso (1968) - Hotel Luena (2009)

Hospital do Luso - Hospital de Luena

Igreja Matriz do Luso - Igreja de Luena

Monumento à Paz

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domingo, 20 de setembro de 2015

ENCONTREI, FINALMENTE UMA FOTO DO QUARTEL DA 2ª COMPANHIA DO BART 6221/74 NO LUSO.

ENCONTREI FINALMENTE 
UMA FOTO DO QUARTEL 
DA 2ª COMPANHIA DO BART 6221/74 
NA CIDADE DO LUSO

Depois de tanto procurar – já devo ter visto centenas de fotos da cidade do Luso – encontrei finalmente uma foto que mostra o quartel da 2ª Companhia do BART 6221/74 na cidade do Luso. Trata-se de uma fotografia aérea, realizada por elementos do AB4 de Henrique de Carvalho, ao sobrevoarem a estação de caminhos de ferro, em 1973 – foi Palma André o autor da foto. O referido quartel não existia ainda em 1970, como podemos ver na foto abaixo.

Legenda: 1 - palácio do Governo do Moxico. 2 - quarteirão (vazio) onde seria construído o quartel. 3 - edifício do Comando da ZML.

 Legenda: 1 - Quartel onde ficou a 2ª Companhia do BART 6221/74. 2 - Edifício do Comando da ZML.

A foto integral de Palma André.

NO PRÓXIMO POST: A HISTÓRIA DA CIDADE DO LUSO

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